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Catálogo de gangues: PCC

  • M. Moori Batista
  • 9 de fev. de 2017
  • 2 min de leitura

PAÍS: BRASIL

ORIGEM: PRISÃO

ETNIA: IRRELEVANTE.

LIVRO: “GLADIADOR JACK”, “COMPARTILHE A SENTENÇA DE MORTE”

A maior gangue carcerária do mundo e a mais famosa de São Paulo, o Primeiro Comando da Capital se faz presente em 90% dos presídios do estado. Na verdade, sua operação é mais complexa, pois o PCC está até mesmo em locais aonde não existem membros, como no caso das FEBEMs (menores de idade não podem ser “batizados” como “irmãos”). O PCC está mais relacionado a um código ou política a ser seguida no universo prisional do que a uma organização criminosa piramidal de fato.

Fundado em 1993 na Casa de Custódia de Taubaté, também conhecida como “Piranhão”, a partir de um time de futebol intra-muros, a gangue já passou por diversas transformações. O objetivo inicial era agir como um sindicato que reivindicaria direitos como assistência jurídica, assistência à saúde e fim das torturas físicas e psicológicas por parte dos funcionários. Somado a essas reinvindicações, surgiu o ideal de “paz entre ladrões”, buscando coibir a violência praticada entre os próprios presos. Herdaram o slogan do Comando Vermelho fluminense de “Paz, Justiça e Liberdade”.

O comando se autodenominou “Partido da Comunidade Carcerária”, criou um estatuto próprio a ser seguido por seus membros e passou a lutar contra outros detentos ou gangues que pudessem impedir a implantação das diretrizes do partido. Conforme as lideranças foram sendo assassinadas, juradas de morte, mudando de lado ou até sendo isoladas no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), o conceito de hierarquia foi se extinguindo.

Hoje o PCC opera sem hierarquia, até mesmo na relação entre membros batizados, os irmãos, e não membros, os primos. Isso também se deve ao fato de o PCC ter incluído a palavra “igualdade” em seu slogan. O maior foco do PCC atual é assumir a função de administrar pacificamente o sistema penitenciário, implantando regras de boa convivência e levando assuntos de interesse comum até às autoridades do presídio, praticamente como um grêmio estudantil.

Quando um irmão é batizado, isto é, torna-se membro, entende-se que ele assumiu um compromisso com o crime, ou seja, não poderá deixar de ser um membro enquanto viver. Essa política, semelhante ao lema “blood in, blood out” (sangue para entrar e sangue para sair) das gangues de prisão americanas, é uma maneira de manter a lealdade ao estatuto do PCC fora da prisão. A política do partido também serviu para apaziguar comunidades carentes e violentas. Entretanto, quando estão nas ruas, os irmãos também voltam às atividades criminosas, tais como sequestros, assaltos e tráfico de drogas. O fato de se ajudarem nas ruas, e também auxiliarem os irmãos ainda presos a cometerem crimes, levou a imprensa a interpretar o PCC como uma organização criminosa de fins lucrativos, com estrutura hierárquica definida. No entanto, a facção não é tão organizada quanto os jornais fazem parecer, sendo que os membros, em sua maioria, já eram criminosos de carreira, e os crimes praticados são entendidos como “a correria de cada um”.

Rebelião em cadeia do PCC.

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